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Conceito Paleo

Comer como os nossos antepassados de há 330 gerações, permite emagrecer e protege-nos da diabetes, acne e doenças cardiovasculares.
Há mais de 10 mil anos, a agricultura ainda não existia e o ser humano estava dependente do que a terra espontaneamente lhe oferecia. Estávamos no Paleolítico, caçava-se, comia-se sementes e frutos da época, marisco, peixe e ovos.

O açúcar, as leguminosas, os lacticínios, os cereais, a batata e, claro, os alimentos processados estavam fora do cardápio da espécie humana. É neste cenário que se inspira a “Dieta” Paleo, mediatizada nos últimos tempos depois de divulgadas notícias de que estrelas como Megan Fox, Matthew McConaughey, Uma Thurman e Miley Cyrus a tinham experimentado. Loren Cordain, professor de Ciências da Saúde e Exercício na Colorado State University, é o seu fundador.

Assina o bestseller «The Paleo Diet», resultado das conclusões da revisão que fez a mais de uma centena de artigos científicos sobre a alimentação que os nossos antepassados praticavam no Paleolítico. Depois de analisar dados de 229 sociedades recoletoras, constatou, por exemplo, que 55 por cento das calorias ingeridas diariamente provinham de proteína animal. Os pilares da dieta assentam numa elevada ingestão de proteína, fibra, potássio, vitaminas, minerais antioxidantes e fitoquímicos vegetais.

A esses, junta-se uma baixa ingestão de hidratos de carbono e sódio, uma ingestão moderada a elevada de gordura mono e polinsaturada, o equilíbrio no consumo de ómegas 3 e 6 e da relação acidez/alcalinidade do organismo, que permitem, defende o especialista no site Paleodiet.com, «minimizar o risco de doenças crónicas e a perda de peso».

Somos o que éramos há 10 mil anos?

A teoria deste regime alimentar pressupõe que o nosso organismo pouco ou nada se alterou desde o Paleolítico. Iara Rodrigues, nutricionista, partilha que, de facto, as enzimas digestivas de que o organismo humano atualmente dispõe «não serão muito diferentes das que os nossos antepassados tinham há 10 mil anos. Para se ser capaz de integrar os constituintes de um novo alimento, pode demorar-se entre cinco mil a 10 mil anos a serem criadas enzimas em resposta ao repetido contacto com esse novo alimento».

Paralelamente, nos últimos 100 anos assistimos a uma alteração bastante marcada no regime alimentar. Foram introduzidas milhares de moléculas, adicionados corantes, conservantes, aditivos alimentares e organismos geneticamente modificados, o que leva a uma «produção incalculável de novas substâncias que ingerimos e para as quais não temos enzimas capazes de metabolizar», explica a nutricionista.

Segundo a teoria Paleo, que sustenta este regime de emagrecimento que muitas das estrelas internacionais já não dispensam, a falta destas enzimas explica, em parte, o aparecimento de doenças crónicas favorecidas pela alimentação moderna, como a diabetes ou doenças cardiovasculares.

Dieta sem cereais

Com a mecanização da agricultura e a revolução industrial, a ingestão de frutos, vegetais, oleaginosas, carne e peixe, tudo o que é permitido na Dieta Paleo, foi secundarizada por uma alimentação mais pobre em fibra mas rica em açúcar, farinha e todos os seus derivados (como pão ou bolachas). É precisamente esta alimentação moderna processada, centrada no consumo de hidratos de carbono, que é apontada neste regime como a origem das muitas doenças da sociedade ocidental.

A lista inclui muitas das patologias autoimunes, reumáticas e relacionadas com a síndrome metabólica, obesidade, hipertensão, alteração do perfil lipídico (dislipidemia ou colesterol elevado), hipertrigliceridemia, diabetes tipo 2 e gota. Iara Rodrigues ressalva, contudo, que «os cereais não são vilões. É recomendado que 40 a 60 por cento da nossa alimentação provenha de hidratos de carbono, nos quais os cereais não refinados podem ser incluídos», sublinha.

As fontes de hidratos de carbono permitidas nesta dieta (frutos e vegetais), «têm um baixo índice glicémico, ou seja, provocam aumentos lentos e limitados dos níveis de açúcar e de insulina no sangue. Níveis excessivos de insulina e açúcar na corrente sanguínea são conhecidos por promover um grupo de doenças da síndrome metabólica. Os elevados níveis de fibra, proteína e ómega-3 desta dieta também ajudam a prevenir esta síndrome», defende-se no site oficial.

O foco na proteína

Um dos principais pilares deste regime alimentar é a ingestão de doses muito generosas de proteínas, cujo efeito termogénico é duas a três vezes superior ao das gorduras ou dos hidratos de carbono, o que significa que aumentam o metabolismo, acelerando o emagrecimento. Iara Rodrigues confirma que, de facto, existem estudos que comprovam esta teoria e que a carne é mais saciante, mas defende que tal não se deve traduzir na adesão a dietas exclusivamente proteicas.

É aconselhável que «10 a 35 por cento do total de calorias diárias ingeridas seja proveniente de fontes de proteínas», recomenda. Segundo o US News & World Report, um pequeno estudo publicado no Nutrition and Metabolism constatou que os seguidores da dieta Paleo se sentiam tão saciados como os que seguiam a dieta mediterrânica, mas ingerindo menos calorias.

O princípio da alcalinidade

Se os laticínios não entram no menu da Dieta Paleo, como prevenir doenças favorecidas pela carência de cálcio como a osteoporose? Ingerindo doses ilimitadas de frutas e vegetais que equilibram o pH do organismo! «O corpo torna-se ligeiramente alcalino, pelo que doenças resultantes do desequilíbrio entre os níveis de acidez e alcalinidade, como asma, insónia, hipertensão, pedras nos rins e osteoporose, podem melhorar», lê-se no site.

«Os alimentos são classificados como ácidos ou alcalinos», explica Iara Rodrigues, «dependendo dos seus efeitos. Um alimento ácido, que forma iões de hidrogénio, contribui para o corpo se tornar mais ácido. Um alcalinizante remove os iões de hidrogénio, tornando-o mais alcalino», especifica. Como na Dieta Paleo há uma grande ingestão de gordura e proteínas, «há que ingerir mais frutas e vegetais para que o corpo encontre o seu equilibro», acrescenta.

De nómadas a sedentários

Se, atualmente, para procurarmos os alimentos que queremos, nos basta percorrer os corredores dos supermercados, no Paleolítico o ser humano era obrigado a fazer grandes viagens a pé. Desta forma, gastava imensa energia, o que se coadunava com os princípios da sua alimentação. Não é isso que hoje acontece. Vivemos numa sociedade sedentária. Até para irmos à procura de alimento (ao supermercado), nos deslocamos de carro. Por esse motivo, neste estilo de vida Paleo, o exercício físico é tão importante como uma boa alimentação. O segredo de um bom equilíbrio são 80% nutrição e 20% exercício.

Vantagens

  • É rica em fibras, proteínas, vitaminas, minerais e antioxidantes.
  • Oferece uma grande quantidade de óleos polinsaturados essenciais (ómega 3).
  • Exclui grande parte dos hidratos de carbono, o que facilita o emagrecimento.
  • Não contém lácteos ou derivados. Grande parte das doenças reumáticas tem vantagens na exclusão de lacticínios, principalmente do leite.
  • Contempla uma exclusão de comida processada.

Na despensa

O que comer:

  • Carne de animais de pastagem
  • Gordura natural
  • Peixe
  • Marisco
  • Vegetais
  • Frutos secos
  • Fruta da época
  • Ovos
  • Sementes
  • Azeite

O que não comer:

  • Todos os derivados do trigo (pães, massas, não importa se for integral ou não, se for preto ou branco ou de misturas)
  • Arroz e massas
  • Açúcar ou quaisquer alimentos açucarados
  • Leite e derivados
  • Cereais e todos os alimentos produzidos com cereais
  • Batata
  • Leguminosas, incluindo feijão, soja, amendoim e lentilhas
  • Comida processada
  • Óleos e gorduras vegetais
  • Álcool

Texto: Catarina Caldeira Baguinho
Adaptado por: Luis Timóteo
Fonte: Sapo Lifestyle

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