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Salmão Vs. Truta Salmonada

Comes Salmão ou Truta Salmonada?
Sabes a diferença?

Esta é a grande pergunta! Decidi escrever este artigo porque acredito que haja muita gente a ser enganada tal como eu já fui. Vamos lá:

Hoje para o almoço apeteceu-me um peixinho fresco grelhado, então fui até ao Pingo Doce comprar uma bela posta de Salmão. Cheguei à secção da Peixaria e vi que as postas de “Salmão” tinham um óptimo aspecto e com uma cor muito rosadinha. Quando chegou a minha vez, pedi à funcionária uma posta de Salmão apontando para aquela que eu queria, ao qual ela respondeu que aquela posta não era Salmão mas sim TRUTA SALMONADA. Disse que as postas de Salmão estavam ao lado (tinham uma cor menos rosada). A diferença segundo ela, é que a Truta Salmonada não tem tanta gordura como o Salmão não tornando tão enjoativo. Eu cá gosto do Salmão com bastante gordura e nunca achei o Salmão enjoativo, aliás, adoro Salmão! Mas… fiquei curioso, e como gosto de experimentar coisas novas, lá trouxe a Truta ao mesmo preço do Salmão.

Confesso que enquanto almoçava, dificilmente consegui perceber as diferenças entre um peixe e outro, pois a Truta Salmonada também tem alguma gordura e de aparência a meu ver são 99,9% iguais. O sabor também é muito idêntico mas nota-se qualquer coisa ligeiramente diferente (ou então digo isto porque sabia o que estava a comer), mas e então, também já comi postas de Salmão melhores do que outras (seria salmão mesmo?). Fiquei intrigado com a coisa, e enquanto comia, saquei o telemóvel para pesquisar no Google as diferenças entre estes peixes e os seus benefícios.

O que encontrei, foi algo que deixou-me a pensar… o Pingo Doce foi honesto para os seus clientes separando os dois peixes (embora tivesse sido enganado com o preço), mas quantas vezes já não terei sido eu enganado noutros estabelecimentos? Quantas vezes não fui a um restaurante de Sushi comer Sashimi ou Temaki e estive a comer Truta em vez de Salmão? Sempre me questionei acerca do lucro que estes restaurantes japoneses teriam com salmão “all you can eat”, até porque o salmão não é nada barato. Não estou a acusar ninguém ou a dizer que todos os restaurantes o façam mas, deixa-nos a pensar ou não? Onde está o crime? O crime acontece quando compramos gato por lebre. Somos enganados nos restaurantes, e nos mercados ao pagarmos por uma coisa e receber outra em troca.

É curioso que o ministério público não tenha decidido investigar um tema tão importante. Afinal, não se trata apenas de propaganda enganosa e sim de uma questão de saúde pública!
O que não se pode aceitar é que um estabelecimento adquira truta salmonada e venda ao consumidor como sendo o legítimo salmão. E mesmo tratando-se de salmão cativeiro deve-se alertar para os prejuízos à saúde.

O que é a Truta Salmonada e o Salmão em Cativeiro?

O salmão selvagem (wild salmon) adquire a sua coloração típica de forma natural porque alimenta-se de pequenos animais marinhos, especialmente crustáceos (ex. camarão) e moluscos que possuem alta concentração de carotenoides, substância que também confere a cor vermelha, laranja ou amarela aos vegetais, como o tomate, a cenoura, abóbora e outros.

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Em cativeiro, tanto o salmão como a truta, não terão a cor da carne alaranjada a menos que sejam alimentados com ração que possua uma destas substâncias.

As criações de salmão (Farmed Salmon) estão no Chile e as criações de trutas no Brasil. Ambas podem usar estas substâncias misturadas à ração para adquirir a carne de cor alaranjada.

Controlo Sanitário

Não existe controlo (ANVISA) nas quantidades de astaxantina e cantaxantina dadas aos peixes em cativeiro. Desta forma, cai por terra toda aquela conversa dos benefícios do salmão, mesmo tendo quantidade significativa de ômega 3 que, como se sabe, está associada ao menor risco de doenças cardíacas e a grande quantidade de vitamina A, fósforo e selénio.

Autoridades de saúde na Europa têm debatido se a cantaxantina adicionada à ração dada aos peixes de cativeiro – para ter a carne na tonalidade rosa – representa qualquer risco para a saúde humana. A Cantaxantina foi associada a danos na retina em pessoas, quando faziam bronzeamento sem sol, levando o governo britânico a proibir a sua utilização (Nos EUA ela ainda está disponível).

O CCAA na Europa emitiu um alerta há vários anos sobre o pigmento da cantaxantina e exortou a indústria a encontrar uma alternativa. Em 2002, analisou os níveis máximos de cantaxantina em rações de peixes e determinou que o nível permitido de 80 miligramas por quilograma de cantaxantina na alimentação era muito alto, e que os consumidores que comiam grandes quantidades de salmão de cativeiro (ou truta salmonada) ficaram susceptíveis a exceder a dose diária aceitável de 0,03 miligramas por quilograma de peso do corpo humano.

No Brasil, os cativeiros não tem fiscalização alguma e nem tampouco no Chile de onde vem a maior parte do “salmão” vendido em Portugal.

Consumido em quantidades elevadas, a cantaxantina pode produzir um acúmulo de pigmentos na retina do olho e prejudicar a visão.

Em termos nutricionais de facto a truta salmonada e o salmão quase empatam. Há quem diga que a truta ganha! Mas este não é ponto em questão. O ponto crucial é a saúde e o engano:

1. A Truta Salmonada ou Salmão de cativeiro comem ração e pigmentante, que se não for controlado pode ser prejudicial a saúde.

2. Pagar por algo que não estás a comer de facto. A truta ou salmão de cativeiro é bem mais barata que o salmão selvagem.

Acredito que o justo seria deixar claro ao consumidor o que está a ser vendido ou servido.

Perguntas ao empregado ou no mercado a origem do “salmão”? Esquece isso! É provável que o empregado, o dono do restaurante de sushi e até mesmo no mercado a resposta seja: É salmão selvagem.

Em matéria publicada em Abril de 2005 (http://www.nytimes.com/2005/04/10/dining/10salmon.html), o New York Times já alertava que 1 em 8 Lojas de Nova Iorque vendia salmão de cativeiro como se fosse salmão selvagem (wild salmon).

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No Brasil já se sabia que a truta era vendida como salmão. Em várias partes do mundo até os mais caros restaurantes vendem pratos à base de salmão mas servem peixes análogos.

O salmão que a gente vê na TV a saltar e os ursos alimentando-se deles pode passar bem longe daqui. O salmão da TV é um peixe raro e é provável que somente 5% ou menos cheguem a Portugal.

Novo escândalo na Europa

O que já é sabido há muito tempo pelos brasileiros surge agora na Europa como um novo escândalo dos alimentos. Desta vez, as inspeções policiais e sanitárias estão voltadas para o peixe.

Segundo dados que se tornaram públicos na Europa, um terço dos frutos do mar que aparecem nas prateleiras das lojas europeias não correspondem ao rótulo no pacote. A falsificação foi detectada pela primeira vez na Alemanha. Um laboratório alemão efectuou a sua própria investigação, descobrindo que o peixe caro muitas vezes tinha sido substituído por análogos bem mais baratos.

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Em Portugal não é diferente. Muita gente pensa que come salmão nos Restaurantes Sushi. Mas, será mesmo o salmão selvagem que foi servido? Somente quem come ou já comeu salmão selvagem (wild salmon) poderia saber a diferença. Devamos perguntar sempre: Isto é mesmo salmão?

Muitos dizem que o sabor da truta é idêntico ao do salmão. Sendo ambos de cativeiro o sabor é o mesmo. A diferença é notada quando comem o salmão de verdade (salmão selvagem; salmão pescado no mar). Aí sim, é outro sabor.

Na dúvida, o melhor é escolher um robalo que acaba por ser bem mais saudável.

O Salmão Selvagem

O salmão é um peixe mediano da família Salmonidae, peculiar aos mares e rios europeus. Naturalmente encontrados nos oceanos Atlântico e Pacífico, eles regressam à água doce na época da procriação, quase sempre escolhendo o mesmo rio em que nasceu.

Pescadores do Alasca (Foto:Getty Images)

Pescadores do Alasca (Foto:Getty Images)

A cor vermelha da carne é gerada pelo pigmento Astaxantina, que o peixe absorve ao se alimentar de camarões. Mas como a dieta do salmão é variada, também variam as cores de sua carne – desde branco ou rosa suave, até um vermelho vivo. O salmão permanece na água doce nos dois ou três primeiros anos de vida antes de ir para o mar, suportando temperaturas baixas em água doce ou salgada.

Por todos esses hábitos o salmão é um poderoso antioxidante que ajuda a prevenir doenças cardiovasculares, inflamatórias, e atua no sistema imune. É fonte de Triptofano, Vitamina D, Ácidos Graxos, Selênio, Proteína, Vitamina B3, Vitamina B12, Vitamina B6, Fósforo e Magnésio. É excelente fonte de Ômega 3, substância que reduz em até 81% a chance de ataque cardíaco, segundo estudos recentes.

Não haveria razão para polémica se fosse esse o salmão que consumimos. O problema é que somente 5% de todo o salmão vendido nos Estados Unidos é natural, e a quantidade que chega a Portugal é irrisória. Mais da metade do consumo mundial actualmente tem como origem viveiros do Chile, Canadá, Estados Unidos e norte da Europa, que reduzem imensamente as suas importantes qualidades nutricionais.

Esses criadores abarrotam tanques com peixes, em condições de higiene muitas vezes duvidosas, e alimentam-nos com farinha e corantes para tentar obter a cor rosada do salmão natural. Pior: utilizam grande quantidade de gordura e altas doses de antibióticos para crescerem rápido, gerando mais lucro.

Em cativeiro, as Astaxantinas que tingem a carne do salmão são substâncias sintéticas derivadas do Petróleo, que, em grandes quantidades, podem causar problemas de visão e alergias e, segundo estudos recentes, podem ser tóxicas e carcinogénicas. A título de comparação, 100g de salmão com corante tem as mesmas toxinas que um ano consumindo enlatados.

Como Identificar Salmão Selvagem

Se desejas os benefícios do salmão verdadeiro, primeiro certifica-te da sua procedência. Infelizmente, não há uma exigência da ASAE que os rótulos identifiquem se o peixe foi criado em cativeiro ou ao natural, mas muitas embalagens trazem o país de origem. Os melhores são provenientes do Alasca e da Rússia. Se for do Chile, evita, pois metade do salmão consumido no mundo vem de cativeiros chilenos.

O preço também é uma boa referência e, infelizmente, o salmão natural é caro. Um salmão que custe menos 10€ o quilo provavelmente é de cativeiro. Outra dica importante é que o peixe de cativeiro não resiste bem quando enlatado, logo, o salmão em lata provavelmente é verdadeiro.

Por conta do preço, os restaurantes costumam utilizar o salmão de cativeiro. Cobram caro e, na maioria das vezes, oferecem um peixe com valor nutricional baixo e elevada gordura ruim, que contém corantes, antibióticos e demais substâncias indesejáveis. Para comer o verdadeiro salmão, o ideal é comprá-lo em peixarias que possam informar a procedência, e prepará-lo em casa.

Tabela de Comparação

SALMÃO CRIADO NA NATUREZASALMÃO CRIADO EM CATIVEIRO
Come crustáceos coloridos, por isso a cor rosa suaveCome ração e corantes sintéticos que dão à carne uma forte cor alaranjada
Possui grandes quantidades de Ácidos Graxos e Ômega 3Possui menor quantidade de gorduras boas e grande quantidade de gorduras saturadas
Sua textura é macia e aveludada como todo peixe gordo, desmancha na bocaA textura normalmente é macia, porém precisa ser mastigado
Proveniente do Alasca Proveniente de fazendas no Chile, EUA, Canadá e norte da Europa

Onde encontrar Salmão Selvagem em Portugal?

INTERMARCHE: (em análise)
CONTINENTE: (em análise)
PINGO DOCE: (em análise)
MINIPREÇO: (em análise)
MEUSUPER: (em análise)
SUPERCOR: (em análise)
LECLERC: (em análise)
JUMBO: (em análise)
LIDL: (em análise)
ALDI: (em análise)

Em análise…. actualizarei sempre que tiver novos dados.
Quem quiser ajudar, deixa os teus comentários mais abaixo.

Fontes:
http://www.farmedsalmonexposed.org/2009/health.html
http://www.nytimes.com/2005/04/10/dining/10salmon.html
Revista Superinteressante Setembro/2012

Somos enganados! Todos devem ler isto!
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Luis Timoteo Avatar

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Um Comentário

  1. Estava à procura de restaurantes onde o sushi fosse feito com salmão selvagem e dei com este artigo. Não fazia ideia de que a truta salmonada fosse tão parecida com o salmão. O Pingo Doce tem ainda um artigo a explicar as diferenças entre um e outro: https://www.pingodoce.pt/escola-de-cozinha/ingredientes/diferencas-entre-salmao-e-truta-salmonada/

    Pelo que li noutros sítios, aqui o salmão fresco é sempre de viveiro, porque de outra forma seria impossível ser fresco. Li também que o único supermercado que vende salmão do Alasca é a Makro.

    Recentemente vi um documentário sobre o salmão que me deixou mal-disposta. Salmão sempre foi o meu peixe preferido, mas ultimamente nem o consigo encarar.

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